terça-feira, 16 de agosto de 2011

Poema de poro aberto

(Salvador Dali)



É de voragem o sol
Que nos devora
E na pele arvora  
O sono de felino
Nessa cinza morna
Se transtorna  
A respiração de tigre
Nas dobras do destino        
Que amiúde atinge        
A sede  do imo    



(Cris de Souza & Wender Montenegro)

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Um Poema de Ferro nas Mãos de Cronos

 (Goya, Cronos comendo um de seus filhos)



suspeitas
que por falta
de sangue frio
ou de muito soro
em tuas mãos
não morro?
só corro
entre a omissão
das horas
e  o tic-tac  
dessa  pronta           
memória
a cortar o tempo
na  demora das macas:
- antes do ‘coma
seus  filhos vivos’
trago a faca!


(Cris de Souza)

sexta-feira, 29 de julho de 2011

domingo, 24 de julho de 2011

Haicais de Frente e Verso


I.

Sombra de pássaro
De frente acende  
A luz do verso      



II.

É de sal e estrela
Do mar a onda           
Que lambe o olhar



III.

O oásis se aproxima
Longe se vê
Que a sede é sina



IV.

Língua de fogo:
Todos os dragões
Rimam com sopro



V.

Linha cara leva jeito
Pra dar nó
No pobre poema do peito   



VI.

Tu colhes gargalhada       
Eu, cultivo riso        
Ai de nós plantar juízo!    


(Cris de Souza)   
VII.

Nó cego se avista
Esperto desaperto
Nós em desassossego




VIII.

De frente e verso
Tridimensional
Universo




IX.

Versos acesos,
Dragões sorrindo ilesos,
Derretem o juízo