segunda-feira, 18 de julho de 2011

Quinteto da pá virada ou cinco poemas revirados


Campo de concentração


medito entre
os percevejos:
papel em branco
me dá nos nervos   


Desconduta


feito uma
locomotiva
a louca-emotiva
parte pra cima
do trevo


Dentes de leão


como podemos
nos iludir calmamente
com a realidade  
mostrando seus dentes?


Bastidores 


a cena do encontro
não tem hora,
nem roteiro

- quem vai
se perder primeiro?


Campanha


necessita
transfusão
de calor
todo sangue
o positivo
de amor


(Cris de Souza)

domingo, 10 de julho de 2011

Três poemas pra lá de curiosos


Distração


quem és tu, que sobes 
as tranças de amores
   a  fazeres me sentir menina
no verso a ponto
de perder na torre a língua?

Rastilho


ah, bandido!
tens como 
o gatilho os olhos
longe me rendes  
sem piscar

- a queima roupa 
me reconhecerás?

Em polvorosa


dar-te-á o teu coração
como quem estende
a pólvora dentro 
da explosão?


(Cris de Souza)

domingo, 3 de julho de 2011

Quarteto sem pé nem cabeça ou quatro poemas desmiolados



S.O.S(I)

não há mercúrio
que agüente
a  febre 
do planeta-ventre


P.S(II)

nessa vida
nenhuma
     olheira
se sustenta
: máscara
não cai,
despenca




OBS(III)

toca o silêncio
que nos despertence
mas desafina
alguma coisa tão nossa

- será o choro ou a bossa?


ETC(IV)

se fechou no tempo
a rosa dos ventos
em desalinho

- arvorou o carretel
de espinhos

(Cris de Souza)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Insite



(Foto: Cris de Souza, Caravana da Nuvem)

nuvens-
passageiras
de permanente
poesia

nuvens-
linhas
de algodão
ou agonia 

nuvens-
dentro ou fora
de alguma
forma

são 
sempre
versos 

a nos tocar!


(Cris de Souza)


Notinha: este poema é um lampejo inspirado numa prosa azulada.