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segunda-feira, 9 de julho de 2012

Quatro poeminhas de bolso

(Rene Magritte)


Indicação

Poeta bom pra tosse
É aquele que torce
Contra o leitor-xarope


O troco é teu

Meto a língua
Onde não devo
E calo pra ler!


Cera

Mas que raios!
Um papagaio
Assovia em meus ouvidos:

Não seja repetitivo!
Não seja repetitivo!
Não seja repetitivo! 


Encarnação 

Quando a inspiração
Se esconde no porão
É pra encarnar assombração?


(Cris de Souza)


* Conversando sobre os sentidos da voz com Cris de Souza, para ouvir clique AQUI.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Poemas sem papas na língua...


 (Magritte, Sheherazade)


No colo das águas cálidas



ouça: num dom
que não sei nomear
o mar
ao penetrar a ostra
pérola a mostra



Desde a primeira estação



plantei papoila
sem saber que era

sem saber quimera
fosse primavera

- ai, dar-te quem dera!



A presa tem pressa?


conjugo a cobiça
que eriça a serpente
na língua do ventre



Letra sem vergonha


sei o que é desejo
- diz o verso
é quando a rima
quer fazer sexo
com o leitor! 



(Cris de Souza)


domingo, 3 de julho de 2011

Quarteto sem pé nem cabeça ou quatro poemas desmiolados



S.O.S(I)

não há mercúrio
que agüente
a  febre 
do planeta-ventre


P.S(II)

nessa vida
nenhuma
     olheira
se sustenta
: máscara
não cai,
despenca




OBS(III)

toca o silêncio
que nos despertence
mas desafina
alguma coisa tão nossa

- será o choro ou a bossa?


ETC(IV)

se fechou no tempo
a rosa dos ventos
em desalinho

- arvorou o carretel
de espinhos

(Cris de Souza)